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No Meio da Crise - Boas Notícias...

Os relatórios da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre a Educação em Portugal costumam suscitar comentários televisivos e jornalísticos muito depreciativos sobre a classe docente. No parecer dos comentadores e analistas de serviço, com algumas exceções muito excecionais, a culpa de todos os males é dos professores. Num dos últimos relatórios do Programme for International Student Assessment (PISA), mecanismo de aferição da OCDE para a Educação dos países-membros, que avalia o desempenho de alunos de 15 anos, em todos os países membros, nas áreas da Matemática, Leitura e Ciências, há conclusões muito interessantes e promissoras que foram ignoradas/omitidas pela maioria dos órgãos de comunicação social.
Nele está escrito, preto no branco, que:
-  mais de 90% dos alunos portugueses afirmaram ter uma imagem positiva dos seus professores;
- os professores portugueses são os que têm a imagem mais positiva de entre os docentes dos 33 países da OCDE;
- os professores portugueses estão sempre disponíveis para as ajudas extras aos alunos e mantêm com eles um excelente relacionamento;
- o papel do professor é determinante na inclusão social. Portugal é o sexto país da OCDE cujo sistema educativo melhor compensa as assimetrias socioeconómicas;
- o nosso país tem a maior percentagem de alunos carenciados com excelentes níveis de desempenho em leitura.
Os organismos internacionais reconhecem aos professores portugueses o mérito que por cá lhes é negado. A visibilidade dos docentes que os órgãos de comunicação social portugueses transmitem é, maioritariamente, negativa. Há professores que se dedicam até ao sacrifício da sua vida privada pelos alunos e pela escola. Havia professores que faltavam muito? Havia, sim, senhor, mas, a par desses, muitos mais vão dar aulas adoentados, arriscam a vida por estradas vidradas pelo gelo, envoltas em densos mantos de nevoeiro... quantos já morreram nas deslocações inerentes à sua profissão? Quantos não puderem criar os seus filhos porque perderam a vida por ensinar os filhos dos outros?
Nunca houve um órgão de comunicação social interessado nestes assuntos.
Como diz a quase totalidade dos alunos, os professores são excelentes pessoas que estão sempre disponíveis para ajudar os seus alunos. Esta é que é a realidade dos professores das escolas do ensino básico e secundário!
O jornalismo em Portugal tende a ignorar as boas notícias, parece comprazer-se com o que corre mal. Talvez devesse refletir sobre os efeitos que esta atitude desencadeia na opinião que os jovens vão formando sobre o país em que nasceram e vivem. Não admira que nas reportagens de rua se assista, de modo recorrente, à expressão de pareceres negativos sobre o país. O fatalismo pessimista e a comparação negativa, para Portugal, estão sempre presentes. Porque será? Porque será?!

Crescei e Multiplicai-vos (em Tempo de Crise)...


Crescei e Multiplicai-vos (em Tempo de Crise)

Procurámos e...encontrámos! Entre os alunos descobrimos a Mafalda e a Teresa que pertencem a famílias numerosas, nove pessoas em cada caso - pais e sete filhos. Perguntámos como é viver numa família tão grande em tempo de crise. As respostas aqui ficam. Conclusão - o dinheiro não é o mais importante!
 Chamo-me Mafalda Boal Koehnen, sou aluna do 7.º A, tenho 12 anos e sou a mais velha de sete irmãos - cinco raparigas e dois rapazes. Somos muitos em casa e poupar faz parte do nosso vocabulário, desde sempre.
Hoje em dia não é muito frequente encontrar uma família tão grande como a minha. Poupar para nós é bastante usual. Temos várias formas de o fazer: a roupa passa de uns para os outros; partilhamos várias coisas (uma delas, os quartos); no Natal,  pedimos sempre uma prenda em conjunto e cada um pede prendas úteis; poupamos na água e na eletricidade; não costumamos tomar banho de imersão; quando queremos alguma coisa vemos sempre os preços. Mesmo com a crise gosto da minha grande família. Estamos inscritos na Câmara Municipal nas Famílias Numerosas e na Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, da qual a minha mãe é coordenadora em Vila Real. 

 Chamo-me Maria Teresa Coimbra de Mello Vaz de Sampayo, tenho 14 anos, sou aluna do 9.º G e sou a quinta filha numa família de sete irmãos - quatro raparigas e três rapazes. Não é fácil gerir uma família tão grande. A minha Mãe prescindiu de ter emprego para se dedicar, em exclusivo, a nós. Vivemos num duplex, cada um de nós tem um quarto próprio. Todos poupamos! Tenho muitos primos, a roupa vai circulando na família. Os duches não podem ser demorados, cinco minutos bastam. Estamos inscritos nas Famílias Numerosas da Câmara Municipal, o que permite uma redução nos transportes, pago 9 euros pelo passe, os outros estudantes pagam 12 euros.
É bom ter muitos irmãos. Aprendemos a ser generosos e mais atentos aos outros.

Crescei e Multiplicai-vos (em Tempo de Crise)...

Na 1.ª edição do jornal impresso ouvimos os mais velhos da nossa comunidade escolar. Na 2.ª edição foi a vez dos mais novos se expressarem. Nesta 3.ª e última edição demos a palavra às famílias mais numerosas. Perguntámos-lhes como sentem a crise e que medidas adotaram para se adaptarem à nova situação.



 
 Carla Alexandra Carvalho Martins Fernandes Freitas - 37 anos - licenciada em Matemática pela UTAD - professora de Matemática - mãe de quatro filhos
Quando soube, na 3.ª gravidez, que ia ser mãe de gémeas, fiquei assustada. Sabia que tudo   mudaria: a distribuição do espaço familiar, a duplicação do trabalho e da responsabilidade, a necessidade de comprar um carro maior, as despesas a disparar… respirei fundo e pensei - Sou capaz! Sou, mas não é fácil. As despesas da água, eletricidade e alimentação subiram para a estratosfera. Inscrevemo-nos, na Câmara Municipal, nas famílias numerosas, o que traz um modesto, mas muito bem-vindo contributo, por exemplo, na fatura da água e nos transportes. O meu filho mais velho  foi transferido do ensino particular para o oficial. A generosidade de alguns colegas que me emprestam/dão roupa permite aliviar a despesa com vestuário. É verdade que vou menos vezes ao cabeleireiro, ao restaurante, passear… mas o que é isso comparado com o sorriso dos meus filhos? Nada! Já não consigo conceber a minha vida sem eles todos. A minha família é o meu Mundo! É a minha fonte de  alegria e felicidade! A minha razão de viver! Já agora: haverá maior prova de amor e fé num país e na vida que ter filhos em tempo de crise? Claro que não!


Felicidade apesar da Crise...

A Felicidade tornou-se um assunto muito sério e atual. Sobre ela fazem-se estudos aprofundados em várias áreas do saber - Psicologia - Medicina - Sociologia - Economia - Política.
 A ONU encomendou à Universidade de Columbia - EUA um estudo sobre este tema. O Relatório Mundial da Felicidade está aí, disponível para todos os que tenham curiosidade. Foram estudados 156 países, entre eles Portugal, que ficou em 73.º lugar. Somos dos mais infelizes da UE, os mais felizes são os dinamarqueses. Cada vez mais os países e as organizações internacionais se preocupam com o bem-estar físico e psíquico dos cidadãos.
Em Portugal, há uma Associação Portuguesa de Estudos e Intervenção em Psicologia Positiva e um Comité Científico do Instituto da Felicidade Coca-cola que existe, também, em Espanha, para estudarem a felicidade dos portugueses. Os responsáveis são dois professores universitários: Helena Marujo e Luís Neto. Procurando-os na Internet, reparámos numa citação que nos agradou de Allan K. Chaimers - Os elementos básicos da felicidade são: alguma coisa para fazer, alguma coisa para amar, alguma coisa para esperar. Se tem tudo isto, considere-se feliz! A felicidade assenta, segundo a Psicologia Positiva, na gratidão, generosidade, perdão, otimismo, esperança e sentido de humor. Invista nos sentimentos positivos e fuja dos sentimentos negativos como o medo e a ansiedade.
São já muitas as obras literárias que abordam a felicidade. Uma delas é A Construção Social da Felicidade de Ana Roque que defende que o dinheiro é importante, mas não é indispensável para ser feliz. A prová-lo está aquele que é considerado o homem mais feliz do Mundo - o monge Matthieu Ricard que deixou a sua carreira científica em Paris para se tornar monge budista nos Himalaias. Vale a pena conhecê-lo e ler com atenção os seus ensinamentos, resultado de mais de 10 mil horas de meditação. Todos os especialistas em felicidade concordam que a meditação é um dos processos para a alcançar, outro é o exercício físico, outro, ainda, é ser útil aos outros, deixar de viver centrados apenas na nossa pessoa. 

Matthieu Ricard
Matthieu Ricard
Há portugueses que procuram, através de gestos simples e alegres, levar felicidade aos outros, à gente anónima que se cruza nos espaços públicos como transportes coletivos, jardins, ruas. Deixam bilhetinhos de amor, palavras bonitas, sugestões de felicidade para quem encontrar estas surpresas. Pense nisso, porque não fazer o mesmo na nossa Escola, na nossa cidade? A felicidade está em pequenas coisas! Cante com Gonzaguinha, cantor brasileiro: Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será, mas isso não impede que eu repita - é bonita, é bonita, é bonita…

                                                                                                   Ana Silva e Carolina Novo - 11.º G

Ouvir os Nossos (Futuros) Economistas...

A crise gera debates, reflexões, propostas...O Broas decidiu ouvir os maiores especialistas da Escola: os melhores alunos de Economia. Perguntámos se concordavam com as medidas adotadas pelo Governo; quais as medidas que adotavam se fossem ministro da Economia/Finanças e qual a corrente económica preferida - intervencionismo ou neoliberalismo?

 Luana Cruz Correia 
15 anos - aluna de Economia do 10.º G

A medida governamental que levanta mais reservas, por ser excessiva e penalizadora para os consumidores e para a Economia, é a subida do IVA para 23%, sobretudo, na alimentação. A corroborar esta posição está o milionário norte-americano, Nick Hanauer, que numa conferência afirmou: Posso garantir que os ricos não criam empregos. O que produz mais emprego é o feedback entre consumidores e empresas. (…) Neste sentido, um consumidor da classe média pode criar muito mais emprego do que um capitalista como eu. Afirma, ainda, que a austeridade é criminosa. O Intervencionismo tem maior sensibilidade às questões sociais. É mais simpático.



 Miguel Cristino
16 anos - aluno de Economia do 11.º F

Palavras como dificuldade, crescimento lento ou recessão, sempre estiveram ligadas à economia portuguesa. Os obstáculos estruturais à prosperidade económica que todos almejam, são: o défice crónico da balança comercial e a fraca competitividade das empresas, devido à baixa qualificação dos recursos humanos, fraca produtividade e baixo investimento em ciência e tecnologia. A conjuntura de crise internacional, a corrupção existente na área económica, uma população demasiado iludida com o crédito fácil são outros problemas que vieram agravar os já existentes.
 A atual política de austeridade resulta da necessidade de corrigir o défice, é inevitável e uma consequência de erros cumulativos do passado.

O neoliberalismo do atual governo estimula a competitividade da economia, mas conduz à falência de muitas empresas e põe em causa o estado social.



Sandra Escaleira
17 anos - aluna de Economia do 12.º D

A palavra Crise designa um período de tempo em que existe uma rutura de equilíbrio. A origem da crise atual é difícil de definir. Ela resulta de múltiplos fatores que se foram sobrepondo no tempo. O impacto a nível europeu obriga a reavaliar as políticas governamentais optando por medidas neoliberais com a redução da intervenção do estado na economia e nas instituições financeiras. Portugal defronta uma crise económica com duas componentes: a estrutural, ligada à década perdida, e a conjuntural, ligada à atual crise. O governo português devia preocupar-se mais com a política educativa, fomentando a aprendizagem do empreendedorismo para, no futuro, os jovens terem capacidade de iniciativa e promoverem o crescimento e desenvolvimento económico do país.




Cont. - Ai Portugal, Portugal - Passado, Presente e Futuro..


Aprendi o que Portugal foi. Começámos como um povo forte e destemido, pequeno mas bom, uma aldeola – Portucale rodeada por mar e inimigos. Com o passar dos anos e séculos assinámos tratados, conquistámos territórios e travámos batalhas que pareciam não acabar. Neste ambiente de conquista/derrota, descobrimos a primeira mina de ouro. A conquista dos mares permitiu-nos um crescimento económico estrondoso e tornou-nos uma das maiores potências económicas mundiais. Ironia, os Judeus expulsos de Portugal por D. João II e D. Manuel I refugiam-se em países que mais tarde vão ultrapassar Portugal.
Com um território europeu definido há séculos e um ambiente de crise financeira, económica e social, acaba-se a monarquia, implanta-se a Primeira República. Depois, acaba esta e surge-nos António de Oliveira Salazar. Questiono-me sobre como estaria Portugal se tal pessoa não fizesse parte da História Portuguesa. Afinal, as reservas de ouro ainda existentes (o que nos resta, para além da alma e da crise) são fruto das medidas de austeridade tomadas há umas décadas. No tempo em que uma sardinha dava para três pessoas.
O povo saiu à rua, acaba o Estado Novo, Portugal torna-se mais pequeno sem as suas colónias. Depois de tantos anos de comércio lucrativo, de explorar indígenas e aumentar o saldo positivo da balança comercial portuguesa, conseguimos fazer o impossível: mudar os pratos da balança e entrar em recessão até à entrada na CEE, antepassado da UE.
E aqui estamos nós, povo português, no início do segundo milénio, reduzidos à nossa verdadeira dimensão - um pequeno território continental e dois arquipélagos - o que mais pode acontecer-nos? Vendo o lado positivo da coisa (crise), os Portugueses vão ter de começar a apertar o cinto e os verdadeiramente bons são os que se vão safar e sobreviver a esta tempestade que nos fustiga. Os pobres, conformados, argumentam que nunca viveram bem, já nem os incomoda muito a crise. Já foram tantas! Só não sabem como é que vão trabalhar até à idade da reforma que está sempre a subir. Talvez de cadeira de rodas!
Continuo a defender que as armas para matar o bicho são as medidas de austeridade e o empreendedorismo. A crise, palavra maldita, mais que financeira é psicológica, só temos que nos adaptar e contorná-la, seguir em frente e alcançar os nossos objetivos. Os estudantes portugueses, geniais e excelentes, têm sucesso no estrangeiro. Mas será que alguém fica para ajudar realmente Portugal?
O futuro depende da alma e vontade portuguesas, da chama que arde dentro de nós e que já se mostrou mais acesa. Tal como os nossos antepassados - somos capazes daquilo que queremos, basta acreditar e lutar.

Texto - Pedro Cruz Silvestre -  9.º D     Ilustração - Beatriz Matos - 9.º B

Ai Portugal, Portugal - Passado, Presente e Futuro...


Portugal é um país pequeno, que descobriu o Mundo, que o teve aos seus pés, mas que o deixou fugir e, hoje, é apenas um país pobre e sem oportunidades, que não mostra possibilidades de futuro aos Portugueses. Há mais de quinhentos anos, as naus portuguesas partiram pelo oceano para descobrir o mundo e trazer riqueza a Portugal. O nosso país já foi a maior potência mundial e teve um império que se estendia pela América, pela Ásia e pela África. A falta de sabedoria, na gestão da riqueza, e a ganância levaram Portugal a perder tudo. Os Portugueses já lutaram e sofreram muito e atualmente são um povo que continua a batalhar para poder dar um futuro aos seus jovens. A situação nacional é realmente preocupante porque os nossos governantes não conseguem voltar a colocar o país nos eixos e criar estabilidade para que as famílias possam confiar o futuro das suas crianças a este país em ruínas que não mostra tendências para se levantar.
A questão que todos levantamos é:
- Podemos nós acreditar que o nosso futuro está neste país?
- Não.
As oportunidades, as opções e um bom estilo de vida estão além das possibilidades que este país oferece àqueles que irão ser os trabalhadores do amanhã. Se quisermos concretizar os nossos sonhos, temos de procurar além fronteiras ou mantê-los dentro de nós e levar uma vida nos termos que nos são ditados pelos governantes deste país sem possibilidades.
Portanto, de um passado glorioso a um futuro incerto, vivemos num presente sem reflexos do  passado e sem estradas para o futuro.


Texto - Maria Carvalho - 8.º E
Ilustração - Beatriz Catarino - 9.º C

Novidades do Capitalismo (?!)

O capitalismo sempre mereceu a desconfiança, mesmo o ceticismo de muitos. O seu maior crítico foi, sem dúvida, Karl Marx que na sua obra O Capital denuncia os vícios e desumanidade deste sistema económico. O dilema é que os outros que foram implementados, inclusive o idealizado por Karl Marx, fracassaram. A contestação ao capitalismo e à sociedade burguesa que o sustenta ganhou novas dimensões com o passar do tempo.
Há quem procure alternativas e fuja ao consumismo desenfreado de que o capitalismo se alimenta. Um dos movimentos mais recentes é a freeeconomia praticada pela Freeconomy Community. O que fazem os seus membros? Evitam fazer compras. Trocam bens, conhecimentos, experiências. Existe desde 2007 e foi criada por Mark Boyle que viveu três anos, sim, três anos, sem dinheiro. Essa experiência permitiu-lhe escrever o livro O Homem Sem Dinheiro. Mark Boyle tem como casa uma caravana e o seu computador funciona com energia solar. Tornou-se um homeopata social. Alguns dos seus estratagemas higiénicos são: só tomar duche de aquecimento solar (aquecer a água num saco de plástico preto, grosso - limpar os dentes com osso de chocos e sementes de funcho - não usar sabonete nem desodorizante. Um repórter comprovou que ele não cheira mal dos sovacos. O mesmo não dirá a última namorada de Leonardo di Caprio, um fundamentalista ecológico, para além de ator e homem bonito, que o deixou porque ele não toma banho todos os dias e não tem um cheiro agradável. Voltemos ao tema, os Freegans são uma corrente mais radical que defende o autoconsumo (só consomem o que produzem). A alemã Heidemarie Schwermer criou o movimento Dinheiro Zero, vive há 15 anos numa comunidade onde não circula o vil metal. O caso mais extremo de rejeição do capitalismo é o norte-americano Daniel Suelo que vive há doze anos como um homem das cavernas da atualidade.
Encarar o PIB (Produto Interno Bruto) como o principal indicador do bem-estar de um país, sempre foi controverso e tema de discordâncias. É muito capitalista, só tem em conta as condições materiais. A felicidade é só ter? Agora, por iniciativa do Butão - pequeno país dos Himalaias, encravado entre a China e a Índia - a ONU vai debater o FIB (Felicidade Interna Bruta). Porquê o Butão a propor este debate? Bom, este país considera-se, simplesmente,  o mais feliz do Mundo! Mais nada!

FMI - Fundo Monetário Internacional...



O Fundo Monetário Internacional foi criado em 22 de julho de 1944, na conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas celebrada em Bretton Woods, juntamente com o Banco Mundial (BM). Esta reunião foi promovida pelo presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt. O FMI entrou em vigor em 27 de dezembro de 1945, com a concordância e assinatura de 29 países. No final de 2009 integrava 189 países.
O FMI, organismo da ONU, tem como principal objetivo estabelecer as regras de uma nova ordem económica internacional para o pós-guerra, de forma a que não voltassem a ocorrer os erros do passado que tinham levado à Grande Depressão de 1929. O FMI é uma organização internacional que pretende assegurar o bom funcionamento do sistema financeiro mundial pela supervisão das taxas de câmbio e da balança de pagamentos, através de assistência técnica e financeira. A sua sede é em Washington, DC - EUA.
O FMI saído de Bretton Woods é o organismo encarregado de gerir um novo sistema monetário baseado no padrão “divisas-ouro”, cumprindo simultaneamente uma função reguladora e uma função de crédito.
O FMI realiza trabalhos de supervisão da evolução monetária global e de cada país membro. É, de igual modo, um órgão consultivo.
Os Planos de Ajustamento Estrutural são a receita única aplicada a todos os países que queiram aceder ao financiamento do FMI ou aos empréstimos do BM.
A Assembleia Geral do Fundo Monetário Internacional é o órgão com mais poder de decisão. Tem um sistema complexo de votação.
A Direção Executiva é composta por 24 membros eleitos ou indicados pelos países ou grupos de países membros. Já teve onze diretores gerais, todos europeus, cinco deles franceses. Neste momento, pela primeira vez, tem uma mulher, Christine Lagarde, como diretora. Também ela é francesa.
A Direção Executiva é responsável pelas atividades operacionais do FMI e deve prestar contas, anualmente, à Assembleia Geral.
A Direção Executiva concentra as suas atividades na análise da situação específica de países ou no exame de questões como o estado da economia mundial e do mercado internacional de capitais, a situação económica da instituição, a supervisão económica e de programas de assistência financeira concedidos por este organismo.
Os movimentos anti-globalização realizam, em vários locais do Mundo, manifestações contra o FMI que consideram demasiado comprometido com o capitalismo e a sua desumanidade. Outra acusação são os lucros chorudos obtidos nas ajudas aos países em dificuldades.
A operação de resgate financeiro a Portugal vai dar-lhe um lucro de 520 milhões de euros. Dá que pensar!
Cristina Caeiro - Inês Monteiro - 9.º A


Serendipidade...



Serendipidade também designada por serendipismo, serendiptismo ou serendipitia é um neologismo na Língua Portuguesa, que designa descobertas feitas por acaso,  encontrar uma coisa quando se procurava outra.
Foi o escritor inglês Horace Walpole que inventou a palavra, inspirado num conto infantil persa Os Três Príncipes de Serendip. Serendip era a ilha de Ceilão, atual Sri Lanka. Os príncipes resolvem os dilemas  com as estratégias que vão surgindo por acaso. Conseguem saber que um camelo cego de um olho, manco, sem um dente, transportando mel, manteiga e uma mulher grávida passou por determinado caminho, observando os indícios deixados: não comeu a vegetação do lado do caminho em que era mais viçosa; as marcas das patas mostram que é manco; o modo como comeu a vegetação atesta a falta de um dente; o mel e a manteiga deixaram vestígios; a mulher urinou apoiando-se nos pés e nas mãos, para amparar o seu peso. É a estória do rei que diz aos filhos que há um tesouro escondido. Eles começam a escavar à sua procura. Não encontram o ouro, mas os campos bem cavados deram colheitas muito abundantes. Não alcançam o que querem, mas algo diferente e também benéfico.
Na atualidade, significa perseverança, inteligência, sentido de observação e de oportunidade. Usar as ferramentas que a vida nos dá. Alguém disse: Se a vida te dá limões, faz limonada!
Na História da Humanidade muitos são os casos de serendipidade. Um dos mais remotos é Arquimedes que descobriu a Lei de Arquimedes porque a banheira estava muito cheia e transbordou. Cristóvão Colombo descobriu a América quando andava à procura da Índia. Alexander Fleming descobriu a Penicilina porque era descuidado e foi de férias quinze dias. Aproveite o que a vida lhe dá, seja serendipidente/serendipidário??!


Texto
 Ana Luís Silva - 11.º G
 Carolina Novo - 11.º G
Ilustração
Bárbara Taveira - 9.º B



Austeridade...

A Porto Editora promove, via Internet, a votação da palavra do ano. Pretende aferir qual  o vocábulo mais ouvido, pronunciado, mais presente na vida das pessoas.
Em 2011, ano transato, ganhou a palavra austeridade, foi escolhida por 12 000 portugueses. Políticos e comentadores usaram-na ad nauseam. O Dicionário de Língua Portuguesa  informa que austeridade é um substantivo feminino  que vem do latim austeritate, significa mortificação da carne, penitência. Disciplina rigorosa. Dureza de trato. Em suma, uma palavra muito negativa, desagradável, mete medo. A sua irmã gémea, pouco ou nada conhecida, é austereza, rima com pobreza, mas também rima com beleza...
Para aliviar o ambiente podemos afirmar que a palavra que ficou em segundo lugar foi Esperança. É, também, um substantivo feminino, mas é positiva, com ela tudo é possível, permite renascer, acreditar que melhores dias virão. A terceira palavra mais votada foi Troika. Sobre este termo, importado da Rússia, já se escreveu muito neste jornal.
Refletindo os resultados desta votação, podemos concluir que os Portugueses têm a noção da difícil realidade económico-social do país, mas acreditam no futuro. É esperançoso!
Por curiosidade acrescentamos, ainda, que no ano de 2010 ganhou a palavra vuvuzela. Muito desagradável, barulhenta, estridente. Os sul-africanos que nos perdoem.


Texto - Liliana Rocha 11.º G
Ilustração - Bárbara Taveira - 9.º B

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