Novidades do Capitalismo (?!)

O capitalismo sempre mereceu a desconfiança, mesmo o ceticismo de muitos. O seu maior crítico foi, sem dúvida, Karl Marx que na sua obra O Capital denuncia os vícios e desumanidade deste sistema económico. O dilema é que os outros que foram implementados, inclusive o idealizado por Karl Marx, fracassaram. A contestação ao capitalismo e à sociedade burguesa que o sustenta ganhou novas dimensões com o passar do tempo.
Há quem procure alternativas e fuja ao consumismo desenfreado de que o capitalismo se alimenta. Um dos movimentos mais recentes é a freeeconomia praticada pela Freeconomy Community. O que fazem os seus membros? Evitam fazer compras. Trocam bens, conhecimentos, experiências. Existe desde 2007 e foi criada por Mark Boyle que viveu três anos, sim, três anos, sem dinheiro. Essa experiência permitiu-lhe escrever o livro O Homem Sem Dinheiro. Mark Boyle tem como casa uma caravana e o seu computador funciona com energia solar. Tornou-se um homeopata social. Alguns dos seus estratagemas higiénicos são: só tomar duche de aquecimento solar (aquecer a água num saco de plástico preto, grosso - limpar os dentes com osso de chocos e sementes de funcho - não usar sabonete nem desodorizante. Um repórter comprovou que ele não cheira mal dos sovacos. O mesmo não dirá a última namorada de Leonardo di Caprio, um fundamentalista ecológico, para além de ator e homem bonito, que o deixou porque ele não toma banho todos os dias e não tem um cheiro agradável. Voltemos ao tema, os Freegans são uma corrente mais radical que defende o autoconsumo (só consomem o que produzem). A alemã Heidemarie Schwermer criou o movimento Dinheiro Zero, vive há 15 anos numa comunidade onde não circula o vil metal. O caso mais extremo de rejeição do capitalismo é o norte-americano Daniel Suelo que vive há doze anos como um homem das cavernas da atualidade.
Encarar o PIB (Produto Interno Bruto) como o principal indicador do bem-estar de um país, sempre foi controverso e tema de discordâncias. É muito capitalista, só tem em conta as condições materiais. A felicidade é só ter? Agora, por iniciativa do Butão - pequeno país dos Himalaias, encravado entre a China e a Índia - a ONU vai debater o FIB (Felicidade Interna Bruta). Porquê o Butão a propor este debate? Bom, este país considera-se, simplesmente,  o mais feliz do Mundo! Mais nada!

Banco Central Europeu - BCE...


O Banco Central Europeu (BCE) é o banco central responsável pela moeda única da Zona Euro e a sua principal missão é preservar o poder de compra do euro, assegurando assim a estabilidade de preços. A sua sede está localizada na cidade alemã de Frankfurt.
A entrada em vigor do Tratado de Lisboa fez do BCE uma instituição da UE.
O BCE foi fundado em 1 de Junho de 1998 com a adesão dos onze estados membros que tinham cumprido as condições necessárias para adotarem a moeda única em 1 de Janeiro de 1999: Portugal, Bélgica, Alemanha, Espanha, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Áustria e Finlândia. Estabelece e aplica a política monetária europeia, dirige as operações de câmbio e garante o bom funcionamento dos sistemas de pagamentos.
O BCE é a instituição central da política monetária da UE e o centro do Sistema Europeu de Bancos Centrais. Os seus objetivos são:
- Manter a estabilidade de preços na UE sendo totalmente independente do resto das instituições europeias e dos diferentes governos nacionais;
- Garantir o bom funcionamento do sistema de pagamentos através do sistema (TARGET);
- Administrar as reservas de divisas que os países membros nele depositam;
- Colaborar com as autoridades de cada país nas funções de supervisão bancária;
- Emitir as notas de euro e estabelecer a quantidade de moedas de euro que os países membros devem cunhar para assegurar o fornecimento.
 Joana Teixeira - João Cabral - 9.º A




Comissão Europeia...



A Comissão Europeia (CE) é o organismo que representa e defende os interesses da União Europeia. Propõe as leis, medidas políticas e planos de ação e é responsável por aplicar as decisões do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia.
A CE é o motor do sistema institucional da UE. As suas principais funções são:
- Propor legislação ao Parlamento Europeu e ao Conselho da União Europeia.
- Gerir e aplicar as políticas da UE, assegurando a execução das normas emanadas do Conselho e do Parlamento Europeu.
- Fazer cumprir a legislação europeia, zelando pelo respeito do direito comunitário.
- Representar a União Europeia, negociando acordos internacionais, em matéria comercial e de cooperação.
- Fazer respeitar os tratados europeus e o Direito comunitário.
- A Comissão foi criada para representar o interesse de todos os estados membros da UE.
A partir de 2004, a CE é composta por 25 pessoas, assistidas por cerca de 24 mil funcionários.  O presidente e os seus membros são nomeados pelo Conselho da União Europeia, por maioria qualificada, após aprovação pelo Parlamento Europeu. Os demais membros são nomeados pelos governos dos estados membros em consulta com o presidente nomeado e devem ser aceites pelo Parlamento Europeu. A Comissão tem mandatos de cinco anos, mas pode, em qualquer momento, ser destituída pelo Parlamento Europeu.

Joana Teixeira - João Cabral - 9.º A

FMI - Fundo Monetário Internacional...



O Fundo Monetário Internacional foi criado em 22 de julho de 1944, na conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas celebrada em Bretton Woods, juntamente com o Banco Mundial (BM). Esta reunião foi promovida pelo presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt. O FMI entrou em vigor em 27 de dezembro de 1945, com a concordância e assinatura de 29 países. No final de 2009 integrava 189 países.
O FMI, organismo da ONU, tem como principal objetivo estabelecer as regras de uma nova ordem económica internacional para o pós-guerra, de forma a que não voltassem a ocorrer os erros do passado que tinham levado à Grande Depressão de 1929. O FMI é uma organização internacional que pretende assegurar o bom funcionamento do sistema financeiro mundial pela supervisão das taxas de câmbio e da balança de pagamentos, através de assistência técnica e financeira. A sua sede é em Washington, DC - EUA.
O FMI saído de Bretton Woods é o organismo encarregado de gerir um novo sistema monetário baseado no padrão “divisas-ouro”, cumprindo simultaneamente uma função reguladora e uma função de crédito.
O FMI realiza trabalhos de supervisão da evolução monetária global e de cada país membro. É, de igual modo, um órgão consultivo.
Os Planos de Ajustamento Estrutural são a receita única aplicada a todos os países que queiram aceder ao financiamento do FMI ou aos empréstimos do BM.
A Assembleia Geral do Fundo Monetário Internacional é o órgão com mais poder de decisão. Tem um sistema complexo de votação.
A Direção Executiva é composta por 24 membros eleitos ou indicados pelos países ou grupos de países membros. Já teve onze diretores gerais, todos europeus, cinco deles franceses. Neste momento, pela primeira vez, tem uma mulher, Christine Lagarde, como diretora. Também ela é francesa.
A Direção Executiva é responsável pelas atividades operacionais do FMI e deve prestar contas, anualmente, à Assembleia Geral.
A Direção Executiva concentra as suas atividades na análise da situação específica de países ou no exame de questões como o estado da economia mundial e do mercado internacional de capitais, a situação económica da instituição, a supervisão económica e de programas de assistência financeira concedidos por este organismo.
Os movimentos anti-globalização realizam, em vários locais do Mundo, manifestações contra o FMI que consideram demasiado comprometido com o capitalismo e a sua desumanidade. Outra acusação são os lucros chorudos obtidos nas ajudas aos países em dificuldades.
A operação de resgate financeiro a Portugal vai dar-lhe um lucro de 520 milhões de euros. Dá que pensar!
Cristina Caeiro - Inês Monteiro - 9.º A


Serendipidade...



Serendipidade também designada por serendipismo, serendiptismo ou serendipitia é um neologismo na Língua Portuguesa, que designa descobertas feitas por acaso,  encontrar uma coisa quando se procurava outra.
Foi o escritor inglês Horace Walpole que inventou a palavra, inspirado num conto infantil persa Os Três Príncipes de Serendip. Serendip era a ilha de Ceilão, atual Sri Lanka. Os príncipes resolvem os dilemas  com as estratégias que vão surgindo por acaso. Conseguem saber que um camelo cego de um olho, manco, sem um dente, transportando mel, manteiga e uma mulher grávida passou por determinado caminho, observando os indícios deixados: não comeu a vegetação do lado do caminho em que era mais viçosa; as marcas das patas mostram que é manco; o modo como comeu a vegetação atesta a falta de um dente; o mel e a manteiga deixaram vestígios; a mulher urinou apoiando-se nos pés e nas mãos, para amparar o seu peso. É a estória do rei que diz aos filhos que há um tesouro escondido. Eles começam a escavar à sua procura. Não encontram o ouro, mas os campos bem cavados deram colheitas muito abundantes. Não alcançam o que querem, mas algo diferente e também benéfico.
Na atualidade, significa perseverança, inteligência, sentido de observação e de oportunidade. Usar as ferramentas que a vida nos dá. Alguém disse: Se a vida te dá limões, faz limonada!
Na História da Humanidade muitos são os casos de serendipidade. Um dos mais remotos é Arquimedes que descobriu a Lei de Arquimedes porque a banheira estava muito cheia e transbordou. Cristóvão Colombo descobriu a América quando andava à procura da Índia. Alexander Fleming descobriu a Penicilina porque era descuidado e foi de férias quinze dias. Aproveite o que a vida lhe dá, seja serendipidente/serendipidário??!


Texto
 Ana Luís Silva - 11.º G
 Carolina Novo - 11.º G
Ilustração
Bárbara Taveira - 9.º B



Eu Visitei Tormes...



O livro de Eça de Queirós, A Cidade e as Serras, tem dois grandes espaços: Paris (que representa a Cidade, a Civilização) e Tormes (as Serras). As duas personagens principais, José Fernandes, que também é o narrador, e Jacinto, ficaram grandes amigos aquando dos seus estudos em Paris. Mantiveram essa amizade, mesmo apesar de afastados, uma vez que Jacinto se manteve na Civilização (no seu apartamento o 202, nos Campos Elísios) e José Fernandes regressou a Guiães, às Serras.
José Fernandes revisita o seu amigo após sete anos e reencontra-o rodeado de todo o tipo de aparelhos, inovações, milhares de livros e muito luxo, no entanto, Jacinto vive aborrecido, murcho, amolecido. Mas tudo isso vai mudar, a partir do momento em que regressa a Portugal. A viagem foi planeada com todo o cuidado, mas as coisas não correm bem: perdem-se dos criados e perdem as malas e quando chegam ao apeadeiro de Tormes só têm um jornal e pouco mais. A viagem para a quinta (propriedade de Jacinto) teve de ser improvisada e lá arranjam um cavalo e um burro para os dois.
Nas belas descrições das paisagens, sentimos o amor de Eça de Queirós pelas serras e, consequentemente, pelo seu país:
Com que brilho e inspiração copiosa o Divino Artista que faz as serras, e que tanto as cuidou, e tão ricamente as dotou, neste Portugal bem-amado! A grandeza igualava a graça. Para os vales poderosamente cavados desciam bandos de arvoredos, tão copados e redondos, de um verde tão moço, que eram como um musgo macio onde apetecia cair e rolar. (…) Por toda a parte a água sussurante, a água fecundante… espertos regatinhos fugiam rindo com os seixos, grossos ribeiros açodados saltavam com fragor de pedra. (…) Todo um cabeço por vezes era uma seara, onde um vasto carvalho ancestral, solitário, dominava como seu senhor e seu guarda. Em socalcos verdejavam laranjais rescendentes. Caminhos de lajes soltas circundavam fartos prados com carneiros e vacas retouçando – ou mais estreitos, entalados em muros, penetravam sob ramadas de parra espessa, numa penumbra de repouso e frescura. (…) Nos cerros remotos, por cima da negrura pensativa dos pinheirais, branquejavam ermidas. O ar fino e puro entrava na alma, e na alma espalhava alegria e força. (cap. VIII de As Cidades e as Serras).
Foi com estas descrições na memória que parti para a visita, na companhia das minhas turmas do nono ano e das colegas Vera Esteves e Leonor Ribeiro e o que observei da magnífica paisagem duriense não defraudou as minhas expectativas e só me fez admirar ainda mais este grande autor e esta bela região. Nunca tinha feito antes a estrada entre a Régua e Tormes e cada metro do caminho foi absorvido atentamente. O dia estava magnífico, cheio de sol e com um azul luminoso no céu, ao qual Eça chamaria azul ferrete, tivemos o Douro no nosso lado direito e gradualmente fomos subindo às serras, tendo o rio como pano de fundo lá em baixo. Magnífico! Não há outra palavra. Depois fomos tendo tons de vários verdes desta primavera que nos visitou mais cedo. Quando nos apeámos, respirei um ar fresco e agradável e lá caminhámos em direção à Casa, pelo caminho do Jacinto. Gostei daquelas pedras cheias de história, gostei de ver de perto os objetos pessoais deste grande escritor, de saber da forma meticulosa como fazia a sua escrita e do facto de escrever de pé, tendo uma escrivaninha à sua medida. Gostei dos jardins e provei das deliciosas tangerinas.
Na pausa para almoço, à sombra de uma árvore reli passagens de A Cidade e as Serras e recordei outro grande escritor, Almeida Garrett, que dizia que não há nada que se compare ao ler um livro no sítio ao qual ele se refere:
Se eu for algum dia a Roma, hei de entrar na cidade eterna com o meu Tito Lívio e o meu Tácito nas algibeiras do meu paletó de viagem. Ali, sentado naquelas ruínas imortais, sei que hei de entender melhor a sua história, que o texto dos grandes escritores se me há de ilustrar com os monumentos de arte que os viram escrever, e que uns recordam, outros presenciaram os feitos memoráveis, o progresso e a decadência daquela civilização pasmosa. (…) Cap. XXVI de Viagens na Minha Terra.

Entrada principal da Casa de Tormes - Fundação Eça de Queirós
Paisagem de Tormes - Fundação Eça de Queirós
Fátima Campos - professora de Português


Parte II - 27 de fevereiro a 2 de março - VALLADOLID...


O projeto de intercâmbio transfronteiriço FIAVAL entre a Escola CEIP Vicente Aleixandre - Valladolid e a nossa Escola, levou a professora Elsa Rebelo a deslocar-se à cidade de Valladolid, juntamente com um grupo de professoras da Escola S/3 Camilo Castelo Branco, Agrupamento de  escolas de Vila Pouca de Aguiar, Agrupamento de escolas de Macedo de Cavaleiros e Agrupamento Infante D. Henrique de Viseu. Esta deslocação, designada por Job Shadowing, insere-se no conjunto das atividades do projeto elaborado, em setembro, pelas professoras Sílvia Meireles e Micaela González.
A professora Elsa teve a oportunidade de acompanhar o dia-a-dia da escola espanhola através da observação do trabalho de uma turma do 6.º ano, que está em parceria com as nossas turmas do 7.º D e 8.º C. Os alunos espanhóis, com a ajuda das professoras inscritas no projeto, montaram uma exposição, alusiva ao tema A flor dos 3 V, baseada na obra de José Saramago, A maior flor do mundo, com os trabalhos feitos pelos alunos da nossa Escola (7.º D, 8.º C, 8.º D, 8.º E, 8.º F), nas disciplinas de Espanhol, Matemática, História e Geografia. Além disso, a professora Elsa Rebelo deu uma aula de geografia, em português, sobre as redes hidrográficas da Península Ibérica. Foi realizada uma videoconferência, no dia 29 de fevereiro, entre os alunos espanhóis e portugueses das turmas acima referidas.
Do programa, também constava uma visita ao Instituto de Educación Secundaria Nuñez de Arce, em Valladolid, uma escola com uma dimensão semelhante à nossa.
Há que salientar o excelente acolhimento feito pelas professoras de Valladolid ao grupo de professoras de Portugal, bem como as atividades de lazer planeadas: a visita a Torrelobatón, a Segovia, a ida ao teatro Vicente Calderón, para assistir à peça La Celestina, bem como a ida às tapas. 


As professoras Elsa Rebelo & Sílvia Meireles

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