Um Conselho Tribal (?!)

 Isabel Gomes
Presidente do Conselho de Escola S/3 S. Pedro

Como Presidente do Conselho Geral desta Escola é um prazer, para mim, escrever para o jornal  O Broas. É sempre com muita satisfação que folheio as suas páginas e vejo que a sua essência se enquadra na citação de Machado de Assis: O jornal é a verdadeira forma de república do pensamento. É a locomotiva intelectual em viagem para mundos desconhecidos, é a literatura comum, universal, democrática, reproduzida todos os dias, levando em si a frescura das ideias e o jogo das convicções. E O Broas em todas as edições permite a todos os seus leitores, através dos artigos dos professores, dos alunos e dos funcionários, navegar pelo mundo das ideias e do conhecimento. Assim sendo, através deste artigo, pretendo levar-vos numa viagem até ao funcionamento do Conselho Geral desta Escola.

O Conselho Geral da Escola S/3 S. Pedro existe há cerca de três anos, sendo um órgão deliberativo, moderador e de supervisão. Na sua composição estão 21 elementos: 1 Presidente, 7 representantes do Corpo Docente, 2 representantes do Pessoal Não Docente, 5 representantes dos Pais/Encarregados de Educação, 1 representante dos Alunos, 3 representantes do Município, 3 representantes da Comunidade Local e o Diretor da Escola. Em conjunto, os seus membros, nas diversas reuniões, analisam, debatem, aprovam e emitem parecer ou deliberam sobre os vários assuntos relacionados com as regras de funcionamento da Escola, quer no plano da criação das regras, quer no plano de concretização das mesmas. Metaforicamente, podemos mesmo equiparar o Conselho Geral a um Conselho Tribal, ou seja, aquele Conselho onde os anciãos da aldeia se reúnem para discutir os assuntos decisivos, quer da sua população, quer do governo daquele povo, quer inclusive do relacionamento com os povos vizinhos. O Conselho Geral permitiu e continua a permitir a criação de sinergias na Escola, de forma a ser um espaço assente no empenhamento de todos os intervenientes no processo educativo, olhando para a Escola como um todo.

Ao longo destes três anos, enquanto Presidente do Conselho Geral, esforcei-me para transmitir a toda a comunidade educativa a importância de educar e de ter uma visão global da Escola. Nem sempre foi uma tarefa fácil,  mas os  trinta e seis  anos de carreira fazem-me acreditar que a comunidade educativa está sensibilizada para o verdadeiro valor da escola e da sua função na formação dos jovens de hoje que serão o motor de trabalho deste país. Acredito que todas as medidas tomadas quer em prol dos alunos, dos professores ou dos funcionários contribuíram, de forma decisiva, para o desenvolvimento desta Escola. A viagem pelo Conselho Geral podia ser mais pormenorizada, mais reveladora, mas, como em qualquer conselho tribal, vigora,  entre os membros,  princípios de privacidade, de legalidade, de informação e, acima de tudo, de luta pelo bem comum desta comunidade.

Termino, apelando à vossa participação, ao vosso gosto por este espaço e, claro, apelando à estima pela vossa Escola, que pelas vossas veias corra o ADN S. Pedro.



                                                                              Isabel Gomes - Presidente do Conselho de Escola


Três anos depois...

Manuel Coutinho - Diretor da Escola S/3 S. Pedro

Com o envolvimento de todos, acredito que é possível reinventar a escola pública...

Decorridos três anos sobre a minha eleição como Diretor da Escola S/3 S. Pedro, posso afirmar que o projeto de intervenção, então apresentado ao Conselho Geral, foi já, maioritariamente, cumprido. Esse documento, concretizado dia após dia, assenta nos seguintes princípios:
- O futuro constrói-se na escola;
- É sempre possível inovar e melhorar, partilhando responsabilidades;
- É imperioso criar normas claras e exigir o seu cumprimento, ressalvando a atitude crítica fundamentada;
- É possível, a escola reconstruir uma sociedade de valores/princípios.

Das diversas áreas de intervenção apraz-me salientar o trabalho na área pedagógica, com os objetivos de promover a qualidade do ensino e o sucesso escolar, bem como, a avaliação externa da Escola. Para a primeira área mencionada procedemos à:
1. Revisão do Projeto Educativo a partir do Conselho Pedagógico e a sua aprovação no Conselho Geral; 2. Reformulação do Projeto Curricular de Escola, adaptando-o à nova realidade e aos normativos legais, com especial atenção na definição dos critérios de avaliação; 3.  Atualização do Regulamento Interno da Escola e a sua aprovação no Conselho Geral; 4.  Institucionalização de uma equipa responsável pela avaliação interna da Escola; maior apoio institucional e material à realização dos Conselhos de Turma, nomeadamente nos momentos de avaliação no final de cada período e ano escolar; 5. Aplicação atempada, coerente, racional e pedagógica das medidas corretivas e disciplinares sancionatórias para melhorar as atitudes e comportamento dos alunos.
Na avaliação externa da Escola ocorrida no início de 2011, cerca de três meses após ter sofrido um enfarte agudo do miocárdio, foi-nos atribuído, por domínio:
1.  Resultados – Bom; 2. Prestação do serviço educativo – Muito Bom; 3. Organização e gestão escolar – Muito Bom; 4. Liderança – Muito Bom; 5. Capacidade de autorregulação e melhoria da Escola – Bom.
Tenho o privilégio de trabalhar com uma equipa fantástica e solidária e revejo-me nos professores, técnicos superiores, assistentes técnicos, assistentes operacionais e alunos da Escola.
A nossa Escola é considerada um local aprazível e seguro, onde se gosta de aprender e ensinar. Tem uma imagem muito positiva no meio onde se insere e mesmo ao nível das   diversas estruturas do MEC. Esta imagem foi construída ao longo dos 124 anos de existência, é procurada por antigos alunos que a elegem como Escola para os seus filhos e netos ou como local de emprego. Lidero uma equipa que trabalha todos os dias por uma escola de qualidade em que o saber e o ser são pilares essenciais num espaço de inclusão.
Atravessamos tempos muito difíceis e incertos. A escola tem de ser um espaço de relançamento da esperança no futuro, de preparação para enfrentar e vencer os desafios que temos pela frente, de promoção do sucesso educativo e da formação integral dos alunos. Para isso, temos de apostar numa cultura assente no trabalho, na competência, na exigência, na qualidade, no rigor, na disciplina e na solidariedade. Expresso o meu agradecimento a todos os que integram esta comunidade escolar e todos os dias lutam para que tudo funcione bem!


Manuel Coutinho - Diretor da Escola

Uivar com o Coração...

Ser lobo é,

mais do que uivar

é estar numa alcateia

a proteger e a cuidar!


Ser lobo é,

viver grandes aventuras

partir pelos bosques

à procura de criaturas.


Ser lobo é,

andar pela escuridão

mas nunca sozinho,

há alguém a quem dar a mão!



Ser lobo é,

viver em jovialidade

por isso não matem a floresta

e deixem-nos viver a liberdade!



Ser lobo é,

amar a lua

cantando serenatas

dizendo que ela é sua!



Ser lobo é ser

liberdade, jovialidade, escuridão,

Ser lobo é ser

caça, ferocidade e proteção.



Ser lobo é

uivar com coração!





Maria Inês Costa  7.º H   

Vila Real...


Vila Real

Se me queres encontrar

desce, desce o Marão

até parares na cidade

que tem o meu coração!        



O seu nome é Vila Real

como ela não há igual

tem importantes monumentos

como a Sé Catedral.



É sempre dia de festa,

festeja-se Santo António

Santo Casamenteiro

e nosso padroeiro.



Em Vila Real,

os namorados são generosos

trocam doçarias

durante as romarias.



Agora sobe, sobe,

o Marão,

e diz lá na tua terra

para visitarem esta região!



Maria Inês Costa  7.º H     


Ciência Divertida...


 A Ciência é, provavelmente, a maior proeza da mente humana.
Nas palavras do autor desta obra: Este livro tem por ambição pôr ao alcance de todos as grandes descobertas da ciência (…), um livro de cultura geral que se pretende acessível ao grande público do século XXI.
A ideia fundamental do texto é mostrar um pouco a evolução da Ciência, salientando-se as suas aplicações no domínio da Tecnologia e em aspetos do nosso quotidiano.
Aos alunos (sobretudo de 10.º e 11.º anos) recomenda-se, em particular, a Introdução, o capítulo 2 - A queda dos graves, o capítulo 5 - O mistério da energia, primeiro episódio, e o capítulo 6 - A fada eletricidade.
Um pouco de ciência para todos, por Claude Allègre, Lisboa: Gradiva
Manuel Salgueiro - Professor de Ciências Físico-químicas

Ciência Divertida...


Foram várias as maçãs que mudaram o mundo, desde a maçã bíblica, origem do pecado original, até ao ícone de alguns dos gadgets tecnológicos mais apreciados.
A crer na lenda, terá sido igualmente uma maçã que mudou (porque acordou...) um dos maiores génios da Humanidade, Isaac Newton (1642 – 1727) e, com isso, a compreensão do Mundo.
Perante a simples queda de uma maçã na cabeça (em tempos, um aluno de 11.º ano desabafou que mais valia que tivesse sido um piano ou uma bigorna, que já não tínhamos que o aturar, mesmo depois de morto!), Newton terá pensado algo como: Se a maçã me caiu na cabeça, por que é que a Lua não cai na Terra? De facto, se tal deveria (e deve...) mesmo ocorrer e se tal não acontece (nem vale a pena a preocupação), há de haver, tem que haver explicação. A lógica da maçã explica (explicação simples, como não poderia deixar de ser), assim, como se explica alguma da Ciência presente no nosso dia a dia, fruto da genialidade (e, acrescente-se, do mau feitio) de Newton, e sem a qual a nossa qualidade de vida não seria certamente a mesma!
A lógica da maçã, Lisboa: Quidnovi
Manuel Salgueiro - Professor de Ciências Físico-químicas

No Meio da Crise - Boas Notícias...

Os relatórios da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre a Educação em Portugal costumam suscitar comentários televisivos e jornalísticos muito depreciativos sobre a classe docente. No parecer dos comentadores e analistas de serviço, com algumas exceções muito excecionais, a culpa de todos os males é dos professores. Num dos últimos relatórios do Programme for International Student Assessment (PISA), mecanismo de aferição da OCDE para a Educação dos países-membros, que avalia o desempenho de alunos de 15 anos, em todos os países membros, nas áreas da Matemática, Leitura e Ciências, há conclusões muito interessantes e promissoras que foram ignoradas/omitidas pela maioria dos órgãos de comunicação social.
Nele está escrito, preto no branco, que:
-  mais de 90% dos alunos portugueses afirmaram ter uma imagem positiva dos seus professores;
- os professores portugueses são os que têm a imagem mais positiva de entre os docentes dos 33 países da OCDE;
- os professores portugueses estão sempre disponíveis para as ajudas extras aos alunos e mantêm com eles um excelente relacionamento;
- o papel do professor é determinante na inclusão social. Portugal é o sexto país da OCDE cujo sistema educativo melhor compensa as assimetrias socioeconómicas;
- o nosso país tem a maior percentagem de alunos carenciados com excelentes níveis de desempenho em leitura.
Os organismos internacionais reconhecem aos professores portugueses o mérito que por cá lhes é negado. A visibilidade dos docentes que os órgãos de comunicação social portugueses transmitem é, maioritariamente, negativa. Há professores que se dedicam até ao sacrifício da sua vida privada pelos alunos e pela escola. Havia professores que faltavam muito? Havia, sim, senhor, mas, a par desses, muitos mais vão dar aulas adoentados, arriscam a vida por estradas vidradas pelo gelo, envoltas em densos mantos de nevoeiro... quantos já morreram nas deslocações inerentes à sua profissão? Quantos não puderem criar os seus filhos porque perderam a vida por ensinar os filhos dos outros?
Nunca houve um órgão de comunicação social interessado nestes assuntos.
Como diz a quase totalidade dos alunos, os professores são excelentes pessoas que estão sempre disponíveis para ajudar os seus alunos. Esta é que é a realidade dos professores das escolas do ensino básico e secundário!
O jornalismo em Portugal tende a ignorar as boas notícias, parece comprazer-se com o que corre mal. Talvez devesse refletir sobre os efeitos que esta atitude desencadeia na opinião que os jovens vão formando sobre o país em que nasceram e vivem. Não admira que nas reportagens de rua se assista, de modo recorrente, à expressão de pareceres negativos sobre o país. O fatalismo pessimista e a comparação negativa, para Portugal, estão sempre presentes. Porque será? Porque será?!

Powered by Blogger